terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sim, a minha família provavelmente deve desconfiar que eu sou gay, pois desde 2006 eu não tenho uma namorada para me camuflar. Como o Lobo, eu sempre dizia "é muito estudo e tenho pouco tempo para me dedicar a vida social", mas nem cola. Algumas pessoas tentam me arrumar namoradas, ou algumas meninas tentam uma aproximação, mas eu sempre estou deixando claro que não estou afim. No fundo eles sabem, mas não há nada evidente: eles querem acreditar que para ser gay tem que ter traços delicados, trejeitos e sou desprovido dessas qualidades. Não tento disfarçar - não mais -; defendo a causa gay e os direitos civis, mas alguns tentam me justificar "ele é um cara que gosta de respeitar o direito dos outros", excluindo-me de uma possível homossexualidade. Ouço algumas pessoas conversando e elas ficam "como pode um homem do porte dele estar sozinho?" e dou de ombros, afinal a pergunta não foi direcionada a mim. Mas se me perguntarem direi a verdade, pois ela há muito tempo não me incomoda.
Um primo chegou para mim e disse "Dêco, posso te perguntar uma coisa sem você se ofender?" . Eu permiti e ele foi direto "Você é homossexual?". Com a minha resposta afirmativa, ele nada disse, só relembrou que nada mudaria entre nós. E até agora nada mudou,e ele se tornou aquele a quem eu procuro quando quero falar de amor, sexo e tudo mais, pois a reação dele é a mais natural possível. E o que falar do meu irmão, que ontem eu estava conversando com o meu anjo-futuromarido e ele perguntou "está conversando com o namorado?" [PRECISO DIZER QUE ALGUMAS PESSOAS DE MINHA FAMÍLIA OUVIRAM] e eu respondi "Sim, estou falando com o seu cunhado, diga 'Oi!' para ele. Mas ninguém falou nada e a conversa seguiu normalmente, como se aquilo fosse uma brincadeira e não verdade. Depois eles que não digam que eu não avisei.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Depois de quase encontrar a morte na rodovia, eu fiz um balanço real, não só de dois mil e dez, mas de toda a minha vida. Descobri que passei muito tempo usando máscaras, que eu acabei esquecendo quem eu era de verdade. Fui me adequando ao estilo de vida aceito, mantendo certos valores que de nada serviram para a minha vida. Senti uma grande necessidade de me manter longe das pessoas que me passaram esses valores, de cortar o cordão umbilical e poder viver por mim mesmo. É claro que se eu ganhasse na mega-sena da virada, tudo seria mais fácil, mas como eu sei o quanto o universo conspira contra mim, acho melhor eu arrumar outra forma.
Minha família se reuniu esse final de semana para organizar os preparativos da festa natalina e enquanto eu estava entre eles, eu sentia que este já não era mais o meu lugar, que eles não são as pessoas que vão me amar e me aceitar como eu sou, e tudo o que eu conheci até aqui, já não existirá por conta da minha orientação sexual. Não quando eles souberem. Enquanto os ouvia falar da festa, pensei solenemente em acabar com a mesma e revelar que eu sou gay. Eu sinto que se eu fizer isso na festa de natal, jesus nunca mais será lembrado e o dia 25 de Dezembro será o dia em que eu destruí o alicerce - não tão forte - de minha família.
Por ora, contento-me em apenas ir embora e viver a minha vida longe do alcance deles. Quanto a transformar o 25 de Dezembro em meu outing, passei a vez. Pelo menos por enquanto.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sweet Dreams


Foi sem querer. Mas quando eu dei por mim já estava fazendo planos de uma vida a dois em um futuro não muito distante.  Casa, decoração, e até em uma cerimônia de casamento [na esperança de que se possa fazer isso daqui a sete anos] para os íntimos, incluindo vocês, meus queridos. Pensei numa lua de mel em um lugar que ficasse guardado em nossa memória, mas foi ai que me dei conta de uma coisa: eu precisava aprender mais dele. Sei apenas o essencial, mas queria poder conhecê-lo mais profundamente, saber dos medos, dos anseios, dos desejos, de tudo. E a vida que nunca facilita nada para mim, fez-me encontrá-lo no momento em que eu estou largando tudo e indo embora. A vontade foi desfazer a mala e embarcar numa viagem para ficar o mais perto possível dele. Mas não dá. Tenho que fazer isso. Por mim. Devo-me isso.
O desejo que fica em meu coração é que o tempo se encarregue de fortalecer o que queremos construir. Mas é só mais um desejo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

quase deus. pois perdoar é divino.


 
Definitivamente eu não consegui responder o Desafio proposto pelo Ro Fers, sobre sete coisas. Mas eu ainda o farei..
Em tempo, seguindo indiferente com meu primo, recebi uma ligação do meu irmão, e o mesmo estava muito preocupado comigo. Meu primo havia ligado para ele dizendo que estava preocupado comigo, pois eu estava sem a alegria contagiante inerente a mim, e muito calado [nem preciso dizer que converso mais que a minha boca e sempre estou fazendo piada de tudo, né?]. Ele disse que estava pensando em conversar comigo, mas que devido ao meu silêncio, ele acreditava que meu irmão estava mais apto para esta conversa.
Falei com meu irmão que deveria ser impressão, pois eu estava bem, obrigado, só que havia resolvido parar um pouco e refletir sobre muitas coisas, mas nada que fosse preocupante [acho que depois que me assumi gay para eles, a qualquer momento eles temem que eu me sinta deprimido e mal comido compreendido  e resolva acabar com a minha vida] << Não, eu NUNCA faria isso. Tantas possibilidades e tantos homens que eu ainda posso aproveitar, sem contar o amor próprio. NÃO, eu não tiraria a minha vida. Beijos! >>
Sei que meu primo REALMENTE estava preocupado, mas também resolvi que não vai adiantar muito eu falar o que sinto, e apenas resolvi perdoá-lo e aceitar que pessoas a quem amamos falham, e ou eu aprendo a viver com suas falhas ou me afasto. Como estou indo embora e provavelmente ficarei sete anos sem conviver com eles, passei uma borracha e resolvi dar um sorriso e voltar a falar normalmente com ele. A primeira coisa que ele me disse quando eu o chamei pelo apelido e estava sorrindo foi "Nossa, como eu estou feliz em você ter voltado ao normal. Eu fico triste só em imaginar que você pode estar passando por alguma coisa e não compartilha comigo. Sabe que somos irmãos, não é? Já estou triste só em imaginar você morando longe. Para quem eu vou ligar todo dia para falar nada ou para dizer tudo?". Eu não disse nada. Só o abracei. Nem havia o que falar, não é mesmo? Ele já estava chorando [eu não, claro. E depois dizem que viado é quem chora.] e disse que me amava. O "eu também te amo saiu" e foi de verdade. Amo-o tanto que dei a ele o poder de me machucar. Mas foi passado. Foi perdoado sem nem saber que o tinha feito. Deve ser esse tal de espírito natalino [que eu não tenho] que apagou a minha mágoa. Embora eu acredite que comentários do post anterior que me fizeram refletir. Agradeço a vocês.
O fim de semana foi de festa, regado de muita bebida, e para minha surpresa, eu fui parar em uma festa hetero, e encontrei uns três casais gays [do sexo masculino], dançando abraçados, fazendo carinho, beijando-se, e tudo isso encarado de uma forma natural pelos outros presentes na festa. Exceto pela mulher do meu primo [outro primo] que não para de reclamar da presença de "viado e sapatão" na festa. Mas só ela. Os outros presentes estavam interagindo, brincando, conversando, tudo na maior naturalidade. Eu senti uma felicidade imensa. E imaginei essa onda de aceitação contagiando o mundo, e  pudéssemos conviver com este respeito em todos os lugares. Foi o suficiente para minha semana começar bem. E desejo que a nossa semana seja a melhor.
Beijos a todos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

indiferença

Meu primo/irmão cometeu um pecado contra mim. Mais uma vez me magoou de uma forma que eu já o havia advertido antes. O que eu fiz? Como é de minha natureza, apenas o excluí de minha vida. Drástico, não é? Mas é a única forma que eu sei lidar com esses pequenos problemas. Se você me ofende ou faz algo que eu não gosto, no primeiro momento eu vou te advertir, e se não funcionar vou te excluir. Não que eu tenha deixado de falar com ele, mas estou sendo o mais frio que eu posso ser com alguém. Nada de rir dos casos, evito toques e olhares, seguindo indiferente. Ele está sentindo a minha indiferença e tem tentado de todas as formas uma aproximação que eu não estou permitindo acontecer. Ele não questiona o motivo, e talvez nem saiba que é resultado do que ele fez comigo neste final de semana. Talvez seja drama, eu deveria saber que pessoas tem a suas prioridades, mas se eu não sou prioridade para alguém, está saíra de minha lista de prioridade também. O que não posso é dar tudo de mim para alguém, enquanto recebo em troco migalhas.
Vocês acham que eu devo conversar com ele ou fazer o que eu sei de melhor?

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

SELO


Este selo me foi ofertado pelo querido Brilho do Sol [Hermes/Apolo/Eros], do tresegos e quero agradecê-lo pelo generoso presente de boas vindas.
Como todo selo, este tem regras que devem ser obedecidas, e como eu sou um bom rapaz, lá vai.
Primeira Regra - Três coisas que me deixam feliz:
1 - Estar com as pessoas que eu amo.
2 - Tomar vinho com uma boa companhia
3 - Fazer sexo. MUITO sexo.

Segunda Regra - Postar uma piada, um texto ou uma imagem que se parece comigo.

Nada se parece tanto comigo quanto o meu reflexo

Terceira Regra - Como toda a última regra dos selos, devo indicar alguns blogs para receber este selo.
E vai para ...
Todos aqueles que me seguem e quiserem, peguem para si, pois todos me fazem feliz.
Beijos

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Domingo. Um calor dos infernos e a minha casa foi tomada por parentes. Tudo bem até ai. Eles são crentes. Mas isso não me dá o direito de quebrar lâmpadas na cara deles por tentativas de me converter [DÁ?!]. Eles insistem e parece não haver outra conversa além do "você precisa encontrar Jesus". Ok! Eu posso encontrar Jesus [o da madonna?], mas acho que isso deveria partir de mim e não destes loucos. E uma que eu nem acredito nele para sair procurando, né?
Meu tio começou a falar da grande misericordia de deus, de seu amor ao próximo e todas essas coisas de pessoas que leem a bíblia, devolvem o dízimo e a oferta, e estão na igreja constantemente. Liguei a tv. E em menos de cinco minutos  lá está Sean Pain lascando o beijo em James Franco. De filho de um "deus de amor" ele virou um diabo e soltou "Se eu pudesse pegava esse bando de viado e matava tudo, passava por cima de trator. E tem mais, matava quem apoia. Graças a deus eu não tenho um filho assim. Isso é a grande desgraça da humanidade.
Foi demais para mim. Dei uma risada diabólica, olhei para ele e disse "Se é para me tornar uma pessoa como você que eu devo encontrar Jesus, eu prefiro estar perdido, pois enquanto estou perdido, não quero matar você, que mesmo contra a minha vontade, fica me falando de um encontro maravilhoso com deus, enquanto você teve "um encontro" com ele e se acha no direito de matar e tirar o direito dos outros de serem quem são e viverem a vida que eles escolheram. Eu sinto muito e além de sentir, eu tenho vergonha de fazer parte de sua família. Mas espera ai, eu não sou de sua família, afinal de contas, eu sou sobrinho de sua esposa. E se há uma grande desgraça na humanidade, isso deve-se a existência de pessoas como você, que veste-se com a justiça de deus e sai por ai fazendo injustiça e falando bobagem."
Ele foi incapaz de me dizer alguma coisa. Talvez seja pelo meu 1,90m de altura e pela cara que eu fiz de quem mata pessoas e come ao invés de dar para os cachorros comerem. Não importa. Mas acredito que ele vai pensar muito antes de sair matando por ai. Ou talvez ele crie coragem e vá fazer o que gosta: encontrar um macho para foder ele. Pois, para mim, quem desdenha quer comprar. E ele gosta de dar.
Beijos venenosos.